sábado, 12 de janeiro de 2013

já faz tempo...

faz tempo que te não vejo... não te mando recados, não te envio flores, não bato à tua porta, não te telefono, nem envio cartas, muito menos aquelas, que não precisam do carteiro (a carta que se entrega de cara limpa, coração sujo de qualquer coisa), faz tempo que a gente não se encontra pra falar das coisas que nos incomodam, que a gente não sente preguiça juntos, que não te faço rir tentando ficar sério, faz tempo que faz tanto tempo, que eu já parei de te existir.

eap

domingo, 6 de janeiro de 2013

Sem nome nº 33

eu não conto horas nem minutos
e mantenho uma relação estável
com o que se passa por fora.
já disse que a batalha é implodida
e há vitória (se há vitória).

***
e alguém me disse o certo - que me soa errado.
por isso erro meu acerto, e vou minando
os passos que calmamente vou deixando para trás.
não pretendo voltar, olhar e ver:
saí de mim, saí do todo.
***
quase sempre minto,
mas essa não é a verdade.
a verdade é que cada dia mais minha mentira
vai mostrando escavacada verdade - disse-me:
"decifra-me ou te devoro"
nadar na bile é consequência.

eap

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

não te abandonei

tenho me mantido longe, das palavras
e mantido-me mais perto das vontades.
qualquer coisa que me faça bem ao peito
eu tenho aceitado de bom grado.

algo um tanto mais forte
um tanto mais condizente
com meus dias
tem me feito sumir.

o sumiço de minhas palavras
será o sumiço de minha existência.

pois nada sei da vida que fazer,
que desses caminhos tortos nenhum eu trilho
com a certeza de não tropeçar
eu apenas escrevo, a ponta que me guia
vai ao papel,
e ainda assim,
a tinta meu sangue
a tinta me sangra
me sangro todo
ao papel.

que coisa não sou senão isto que me escrevo?
já posso me gabar de falar de amores
que nunca amei,
de amares
que nunca falei,
e de coisas que me são tão novas - onde eu encontro
a resposta pro meu desalinho
senão no espelho?

gaguejo muito,
beijo pouco,
falo menos ainda,
bandeira.
sou teu discípulo desde ontem!

o posto de capitão de mim
quem vai tomar senão eu?

ao poeta que vos fala
resta o ponto final,

eap

30 min de silêncio

cheguei à sua casa, nada dissemos - ele sabia que eu não diria nada, sabe do meu jeito - sete anos de amizade, oito, por aí, sabe bem que não falarei. era meia hora de silêncio, eu teimoso feito um carrapato. um carrapato que suga o sangue - eu sugo o silêncio e a má vontade do ar pesado - preso à árvore, preso à vontade. meia hora disposta. não há melhor comparação - um carrapato não atinaria pensamento em entender o que há aí, eu tento, não consigo, vontade não me falta. mas deixo, deixo e não deixo, pois que passou-se a tal meia hora. me fui, sem pensar, sem levar nada dentro do peito, a não ser a cócega da situação - talvez o silêncio faça bem à amizade.

eap

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Sad & Beautiful World

Rim Lee

A maré das coisas nos torna vulnerável, ou o contrário, às dores. 
Faz um tempo já decidi que não as iria mais sentir, e comecei a regredir alguns anos de minha (suposta) vida para voltar ao início, deitado em minha cama, fetal, às tantas da madrugada, e dia seguinte, acordar, ainda cheio do líquido viscoso da placenta, e cuidar de fazer daquele dia o primeiro dia da vida, sentir os primeiros ares, saber onde os ares são mais amenos, mais rarefeitos, onde bate forte o sol, saber que ele por muito tempo a deitar sobre a pele pode fazer mal apesar do belo espetáculo de vê-lo nascer. O sol nasce todos os dias. Nasce. E renasce. 
Assim, minha pele vai cuidando de adaptar-se aos seus raios, aos seus melhores dias. Os dias que nem sempre são bons – na verdade, a maioria é bastante ruim depois que toca o meio-dia – mas ainda assim divago nos divagares do meu monólogo particular. 
No intento de melhorar os pontos que se inconformam de permanecerem distantes – a vida se torna simples (como um círculo) àqueles que não se interessam por saber um pouco mais do que há por dentro da grande massa que nos revolve à tal maré... 
Nas mesmas poucas vezes em que me dispus a nadar contra a corrente das coisas, acabei por me defrontar com o poder abissal do mar – estar sobre a água, flutuar por algumas horas sobre, é o não ter medo de olhar para debaixo dos pés, ver o infinito se extinguir debaixo dos, and its a sad and beautiful world. Sussurrar isto ao pé do ouvido às minhas manhãs vai fazer com que eu vá aprendendo dia após dia em meus renasceres que nada vale a pena enquanto não nos tornamos cada dia um pouco mais surdos, mudos e cegos – ignorantes, insensíveis e indiferentes às pedradas que diariamente teimam em chover (à quem elas teimam eu não sei, apenas acontecem... entender é um começo).
It’s a sad and beautiful world.
E foi por isso que eu decidi naquele dia ir à praia. Fui ver até onde se deitaria o sol. O mar até tinha força de me entristecer, mas... eu ainda lutava, enquanto engolia água por todos esses anos que passei sem ter tempo de cuidar dos meus rins. Eles não agradecem, não podem e a porta vai se fechando a cada dia enquanto eu calado em renascenças ainda não aprendi a falar.
... e nem pretendo.

eap