quarta-feira, 24 de janeiro de 2018
Disparate para N.O.A.
E, por incrível que pareça eu lembro dos nossos últimos momentos com certa amargura mas com um tom de misticismo que eu nunca entenderei como pude ter tido tanta certeza do que fazia. Porque, por mais que nos amássemos (e nos amávamos), sentia em meu peito que eu era um vírus para a sua vida.
Embora a cidade tenha ficado pequena demais para você, com todas as ruas dando de encontro para o seu rosto, é certo que retirar a única pedra de sustentação do teu caminho foi a melhor coisa que eu poderia ter feito por você. Claro, que, ao falar isso posso estar dizendo que eu era para você como se fosse um deus - mas eu e você sabíamos e sabemos ainda que deuses não existem e eu também não me consideraria um.
Lembrei, enquanto me agraciava com tuas vitórias, da história do cara que chuta uma tal vaca do precipício, mesmo sabendo que essa vaca era a única fonte e sustento de uma família. Logo depois ele volta e vê que a família prosperou.
Diferente da família que não via um futuro pela frente, eu enxergava em ti todo o potencial que uma vez vi em 2009, quando éramos amigos, ainda na batalha - daonde o nosso amigo Metal está hoje em Novo México - e eu sabia que tudo o que fazíamos era um desperdício.
Não digo com isso que me arrependo. De jeito nenhum, a vida segue, e o máximo que podemos fazer é pegar carona nela.
Mas ao me chutar da tua vida rumo ao precipício, não posso deixar de crer que você cresceu e muito e grande. Era esse o estímulo que você precisava. E, claro, sinto muito se fui rude no modo como pus as coisas ou se nos momentos seguintes as coisas ficaram mal esclarecidas.
O fato é que, eu sempre serei um vírus - e não falo isso para me autodepreciar, é da minha natureza isso. Nunca fui a sustentação que eu mesmo precisei e me sentia culpado de não ser a que você precisava naquele momento.
Assim sendo, a única coisa que fica para a minha própria reflexão é saber o que preciso chutar de minha vida para que ela comece a dar certo?
Será que você sabe a resposta?
De qualquer maneira, em algum momento eu posso estar sendo o vírus de outra pessoa, mas eu não o quero ser. Só que desta vez, ao invés de refazer o que fiz, vou procurar a única saída possível que é obter o melhor que o esforço real por algo real é capaz de oferecer.
E é isso que você tem que eu ainda não tive.
Precisei esperar 26 anos para descobrir que até aqui viver não passou de uma mentira e que os planos de verdade vão começar agora. É o fim da letargia.
Nunca poderei dizer isso pessoalmente, mas sei que você sabe que pode me encontrar aqui. E quando estiver lendo isso, saiba que estou verdadeiramente feliz pelo rumo que a tua vida tomou.
quinta-feira, 3 de novembro de 2016
atual estado das coisas
tudo que escrevo é produto da dor
nunca fiz nada pelo belo belo belo olhar
não escrevo por opção ou por não ter mais o que fazer
na verdade tenho muito o que fazer de minha vida
e todas essas palavras ficam aqui na minha garganta
e por mais que eu queira,
só de escrevê-las, elas já perdem a força,
e escrever é meu modo mais singelo de pedir desculpas
porque eu preciso cuidar da minha vida
e o fardo que carrego de dor parece maior que meu próprio corpo
parece mais pesado do que o que posso aguentar
e eu não aguento
eu sempre torno a escrever todas essas palavras
todas essas coisas
que fazem de mim um ser de carne e osso
e sentimento
às vezes eu esqueço o quanto sou humano
e vivo como entidade
flutuo pelo mundo como uma bola de gás
um espectro que se arrasta pelas sombras
pelos cantos das paredes descascadas
pela vida que eu não escolhi.
eu não escolhi ser triste
eu não escolhi ser fraco
eu não escolhi e não posso julgar que vocês possam rir de mim
ou chorar comigo.
eu descanso meus olhos por esses anos
mas nem sei mais porque ainda insisto em escrever
porque eu não tenho escolha talvez
e deve ser por isso que esses versos se alargam tão feios
sem serem lapidados ou cuidados
simplesmente porque eu não sei como
dizer todas as coisas que eu sinto, nem nunca soube dizer em 5, 10 anos
desde que eu soube que eu podia
que eu devia
escolher não ter escolhas
e não é destino, não me entendam mal
isto que aqui vai
é puramente escolha.
não faço sentido.
desculpem por isso.
quem ler essas palavras hoje, amanhã, ou depois, espero que não as entendam mal.
não é poesia, é só confusão.
segunda-feira, 1 de junho de 2015
a fortuna da carteira
segunda-feira, 31 de março de 2014
ensaio sobre virgem
eap
segunda-feira, 10 de março de 2014
partida de futebol
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
paisagem móvel
quem vai na onda dele se perde
e maiores são as notícias - espera:
na alça da blusa dela,
as onças se abocanham,
podem andar pela extensão
de toda a savana de pelos
dos quais o seu braço é feito
na nuca - calma:
do bigode dele
acompanho a vazão que dá
as idas e vindas que sua vida
cuidou de fazer - passa o troco
e no cofiar dos dedos,
percebo-lhe vaidade
para além dos anos que lhe vêm
para agora dos anos que lhe vão.
"no vão das coisas que a gente disse
não cabe mais sermos somente amigos
e quando eu falo que eu já nem quero
a frase fica pelo avesso - meio na contramão"
quem sabe da vida inteira,
estrela essa que carrego
na ponta dos dedos,
iluminando apenas os meus olhos
enquanto vai-se apagando
por dentro do que esquenta
(a morte da estrela-anã vermelha)
eu astrônomo todos os dias,
conto no cobertor, e no buraco do teto
todas as estrelas que posso
o til nem teve tempo
de se sobrepor no a,
foi instantâneo, e, mesmo
depois que o a se forme em
inúmeros zês pela madrugada
meu pensamento continua
dissociando o intangível das memórias
que nunca tive,
da tesoura e do escorpião
e de todas as coisas
que num dia
fiz verso do avesso.
eap
domingo, 9 de fevereiro de 2014
doesn't remind me
sobretudo me incomodam retratos familiares conturbados. e não necessariamente precisam ser conturbados, mas retratos familiares de um modo geral.
pego-me às vezes sendo vítima, e nem sei bem se essa seria a palavra mais adequada para isso, de objetos de estudo puramente freudianos. é estranho ver-se desnudado por teorias - e dói.
odeie quem odiar, mas sou canceriano, ascendente em touro, lua em libra, denota uma personalidade pacata e sensível. mas o lado canceriano fala alto no que diz respeito à memória, esta, nem sempre agradável, mas, penso, responsável por uma sensibilidade pelo que se vê aqui nestas páginas desde 2009 e que vem de mais tempo, desde os treze.
vejo: os laços e desenlaces familiares e suas consequências sempre foram temas que me marcaram - e a maneira como o cotidiano de todas as pessoas é afetado por relacionamentos. tudo na vida gira em torno do que dentro da instituição afetiva criada com o outro gera: personalidade, atitudes (sejam elas quais forem), profissões, opiniões, igualmente - tudo. daí perguntarem o por quê desse apego a relacionamentos. ora, mas é disto que são feitos maior parte dos retratos cotidianos aqui expostos.
os meus mais íntimos sabem dessa fixação toda minha. e no quanto acredito piamente nisso.
quando penso por exemplo na figura de meus pais e em tudo o que se desenrolou na separação deles (sim, meio constrangedor, mas para que eu divulgue o que determinou este insight precisarei recorrer ao pessoal), foi responsável por lágrimas e mais lágrimas derramadas e olhos embaciados por filmes, músicas e livros que retratassem a figura paterna como provedora de algum desenlace - de cabeça lembro: estamos bem mesmo sem você (filme italiano do gênero drama, que retrata uma família conturbada pelo abandono da mãe), lembranças (sim, com robert pattson, em um papel talvez demasiado dramático, entretanto, final surpreendente, destaque para o papel de pierce brosnan), e, o que deu origem a esta crônica: o clipe de doesn't remind me, do audioslave, que retratou em síntese todas estas palavras até aqui.
no dito videoclipe vemos que tipo de destroços são criados com o pós-guerra (ao que tudo indica, a do iraque, ou afeganistão). uma criança que libera sua energia para suplantar uma dor que incomoda (vou escrevendo e achando cada palavra piegas, mas, que seja) no boxe.
ora, acho que é uma maneira de escapismo, jogar a fúria num esporte, adolescentes escolhem outros caminhos etc., mas aí denotaria uma outra breve reflexão de sociedade: lidamos com um modelo norte-americano de fraqueza, onde, como disse ariano suassuna, um jesus cristo modelo seria o superman.
que seja, tanto faz, não discordo, nem concordo - muito pelo contrário (risos). o fato é que: não é interessante como essas instituições nos transformam?, transtornam, também. de toda forma, ainda no assunto do que uma guerra pode gerar, vemos a figura de um soldado que nos diz o seguinte (naquilo que acredito ser um dos primeiros parágrafos mais legais da wikipédia:
" O Tenente-General Sir Adrian Paul Carton Ghislain de Wiart VC, KBE, CB, CMG, DSO (05 maio de 1880 – 5 de junho 1963), foi um oficial do exército britânico de ascendência belga e irlandesa. Ele serviu na Guerra Boer, Primeira Guerra Mundial, e na Segunda Guerra Mundial. Levou um tiro no rosto, cabeça, estômago, tornozelo, perna, quadril e ouvido, sobreviveu a um acidente de avião, escapou de um campo de prisioneiros, e mordeu e arrancou seus próprios dedos quando um médico se recusou a amputa-los.
Mais tarde, ele disse: 'Francamente,eu adorei a guerra!'"
não queria, sinceramente, que este texto se arraigasse pelas vias da boba demagogia sentimentaloide. vade retro. mas como não refletir e fazer paralelos?, ou então só uma mente paradoxal como a minha associa essas minúncias - mas, o tal videoclipe me conseguiu marejar os olhos (coisa lá não muito difícil), e fica-se aqui a indagação desta responsabilidade fardo que somos obrigados a carregar. nem sei ao menos a quem se há de atribuir uma culpa - e se há.
enquanto não se encontram formas de se saber o que por aí vai, deixo aqui o aviso prévio de que freud ainda vai incomodar por bastante tempo com obviedades. vamos à guerra ou ela vem a nós?
eap
ensaio sobre libra
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
ensaio sobre escorpião
carta nunca enviada
domingo, 13 de outubro de 2013
ensaio sobre sagitário
39
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
-
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ensaio sobre capricórnio
domingo, 28 de julho de 2013
santas e santas
quinta-feira, 25 de julho de 2013
saber-se oceano
domingo, 16 de junho de 2013
dos astros imperfeitos
fumei, soltei, e ela ouvia embasbacada, continuei, depois a energia volta a se expandir, na forma de auto-expressão, do se ser, do independer-se da experiência adquirida com a ausência, quer estar à frente, leão, mas não há o que liderar, existem os que simplesmente não se importam com o líder, com nada, e a juba baixa, debaixo da patinha murcha os olhos de gato, ok que cê adquira a experiência de se auto afirmar, ok, daí pra frente vai existir o julgamento, o auto-julgamento, a busca da perfeição de virgem, também impossível, cê mais que ninguém sabe... aí depois desse julgamento, a energia buscará o equilíbrio de tudo, continuará enlouquecendo, constantemente, pela ausência desse equilíbrio, um equilíbrio que só se consegue sozinho, então por essa ausência buscava-se a intensidade dos sentimentos reprimidos desde câncer, só que com a força acumulada, duma água que tem a capacidade de se refazer mais rapidamente, para começar o processo de loucura, de insanidade, de força, que chora, mas não demonstra, que quer e pode e é;
tossi, umedeci a garganta e continuei, cerveja na mão: cê sabe que das energias é o constante processo de transformação, isso é lei da química, da física, foda-se, a energia astral se volta novamente para o mundo, para se expandir, e busca uma auto-afirmação baseada na liberdade, na vontade de, na ausência dessa vontade, que é inerente ao ser humano, o cansaço mata o último fogo latente, que apaga-se aos poucos e tristemente, a força sensível e livre de sagitário, resta a ele concretizar, tentar pelo menos, as experiências que tentou adquirir e obter lucro com isso, mas, é tanto conhecimento junto, tanto, que a prática falha, e o que se vê é um capricorniano, inteligentíssimo, entretanto, sem dedos para moldar a filosofia, a ciência, e o último grão de areia se desfaz assim, como quem não percebe, então a busca é pela quebra dessas convenções adquiridas, essa ciência falha, essa coisa toda que acabrunhou essa energia, é a loucura no seu estado mais anárquico, independente, quase, quase nada, suicida mesmo, kurt cobain tá aí pra nos dizer isso... Sei que nessa tal busca, de uma realidade completamente destruída, imagina você um cenário de psiquê apocalíptica, onde nada mais faz sentido?, qual tua primeira reação, já que você não se suicidou nem morreu em meio à loucura na qual se prendeu?, você busca a água profunda dos oceanos, tristes, escuras, que na margem de câncer deu origem à vida conhecida, agora é o último abrigo, onde se sonhará numa realidade diferente, embriagado pela crença, pela fé de que isso aconteça, busca-se isso dando-se, entorpecendo-se -- cê manja que existe uma conversa de que quem é residente em peixes é a última vez que encarna, né?
bebi o gole da cerveja, e disse: os signos nada mais são que a prova definitiva de que somos passíveis da imperfeição, jamais seremos perfeitos, e por mais que busquemos e que um dia haja essa tal convenção que nos diz do certo e do errado, vai haver sempre alguém que o diga, que não é o amor, mas sim a liberdade que é certo, que o amor priva a liberdade, que não é a liberdade e sim as posses materiais que trazem o estado perfeito de felicidade e satisfação, então alguém abre mão das posses e lidera uma guerra para provar que ter o mundo inteiro é a melhor coisa a se fazer, e guerreia, e conquista, mas, sem saber o que fazer dá início a um ciclo de tudo que nós conhecemos na história até hoje: homens que se sacrificaram pelo amor, outros pela guerra, uns pela liberdade, outros pela fé, enfim.
foi um silêncio tenso e bonito que se seguiu, e eu só pude esboçar mais uma coisa que ainda não tinha ocorrido: o pôr do sol tá indo embora e acabou-se a cerveja, acho que a gente deveria voltar pra casa.
eap
segunda-feira, 20 de maio de 2013
sub(ida)
domingo, 14 de abril de 2013
pode ser que sim
eap



