Mostrando postagens com marcador filme. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador filme. Mostrar todas as postagens

domingo, 15 de janeiro de 2012

Forrest Gump's Theory (Teoria Forrestegampeana)

Basicamente composto de cinco etapas:

1ª etapa: ao menor perigo, não pense: corra -- é provado que quem enfrenta sempre acaba ferido.
2ª etapa: não titubeie, obedeça.
3ª etapa: saiba que ser idiota é fazer idiotice.
4ª etapa: não tenha opiniões nem contrárias nem a favor de acontecimentos sociais - ficar em cima do muro é mais seguro.
5ª etapa: seja um idiota e tudo vai dar certo.

eap

domingo, 26 de junho de 2011

Linha de Passe



Posso dizer que não foi à toa que o filme Linha de Passe foi passar no Telecine Cult ontem, às 22 horas ("horário nobre"). Havia tempo que estava na lista de filmes para ver antes de morrer (digo de pronto que a minha lista vai para mais além que mil e um como é título do livro), e não foi em vão que pu-lo lá. Não que minha lista tenha algo de fantástico ou que só entre o que "é bom". Porque do bom ao bom tem sempre uma variável abissal que separa a minha opinião, que como dizem por aí popular e historicamente, que termina onde começa a sua. Mas enfim, falemos do filme.


Walter Salles, foi aquele que concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1999 - ganho por A Vida é Bela, de Roberto Benigni - com Central do Brasil (Fernanda Montenegro também concorreu à premiação de Melhor Atriz), assina a direção do filme. Em comum os filmes resguardam um Brasil (ou Brasis) que as pessoas negam ver, mas que está presente na maior parte do país. Não é oito nem oitenta, falando em popular. É a vida que é pobre, mas sem descer os degraus da marginalidade. Os personagens beiram a tal, mas não chega a ser um Cidade de Deus (para aqueles que reclamam que filme brasileiro só fala de favela e sacanagem).


A direção do filme é precisa, tranquila, tradicional até, e nos direciona para a vida de cada um dos membros da família. A casa é apenas o que os une, pois que a história de cada um é interdependente, parece na verdade, cinco pequenos filmes enraizados e ligados pela instituição família, que parece surgir só como a desencadeadora disto tudo.


Apesar da simplicidade de uma possível explanação - porque é um filme simples - a maneira como é levado, com mão firme pelo diretor, nos mostra que está nas mãos de um bom artista fazer o que é a máxima de uma boa literatura igualmente: extrair do ordinário o extraordinário. E há no filme esta necessidade de identificar um Brasil, não exarcebado, como um dia fora, naquele velho tema do Cinema Novo, mas de uma necessidade de inserção das vidas que lutam como pequenas formigas que debatem-se por baixo da terra - porque é certo que na vida real, sempre se decai um pouco à mais, e esta decadência, do filme, não da vida, é tomada de uma sensibilidade que só é possível esconder por trás de virtudes, desejos, paixões - como o futebol, a religião e a dignidade, que cada qual busca.


E,a,p'

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Wong Kar-Wai



Há, de certo, lugar reservado àqueles distintos homens sensíveis.
Poetas, diria.Mas aqui vemos Wong Kar-Wai, dono de uma linguagem cinematográfica que muito comove mesmo quem não é dado a gostar de sentimentalismos, romances, tocar na ferida aberta chamada amor, que Kar-Wai sabe tocar de jeito, com jeito e em cheio, causando as dores mais profundas, mais horríveis, deixando o espectador diante da tela, de todo, desarmado.
Já disse e continuo a repetir a quem quer que ouça que sou fã de carteirinha de belas fotografias, elas resumem todo o sentimento incapaz de ser expresso em palavras, em imagens, em bons atores, etc.. Aí Wong sabe cativar, sabe moldar a seu gosto os olhos dos que assistem à sua visão de mundo, deixando abobalhado de tanto entretenimento unido à uma arte pouco antes vista, que é esse seu cinema.

Dos filmes que mais gosto e que melhor explica todo esse palavrório, cito dois:


Felizes Juntos (Happy Together), que narra de maneira sublime o amor vivido por dois imigrantes chineses em uma locação igualmente encantadora da América do Sul (na Agentina, para ser mais exato. Forte é, e assim defino todo o filme, todo ele, sem tirar nem pôr. Parafraseio o crítico de cinema do livro 1001 filmes para ver antes de morrer: "a dor demonstrada pelos atores", quando suas discussões estão no ápice, ou o ciúme introvertido de um toma a frente do temperamento expansivo do outro, que se vê, num determinado momento do filme de mãos quebradas, literalmente, tendo que depender do outro para fumar um cigarro dividido no banco traseiro de um taxi, "é tão grande, pungente (ufa!), que o espectador tem ímpetos de virar o rosto". Isto sem citar a beleza da fotografia, ora de um preto e branco granulado, ora de um colorido intenso, a mostrar as belezas cruas, tais quais o relacionamento que pelo filme é narrado.


2046, os segredos do amor, é outro desses filmes. Para entendê-lo, é preciso ver um outro filme, nem preciso dizer que também maravilhoso, que é Amor à Flor da Pele (In the Mood of Love), para entender que busca um escritor no labor de se debruçar sobre um livro que escreve acerca de um trem que parte para o ano de 2046 para buscar lembranças perdidas. No meio período uma robô se vê interessada por um jovem, dá-se conta disso quando já é tarde demais. Misto de ficção científica com romance, que é sua praia de verdade, o filme mostra o Sr. Chow, do primeiro filme (Amor à Flor da Pele) a retratar estes casos ficcionais enquanto se envolve com outras encantadoras mulheres, direta e indiretamente.

Há outros filmes, grande a sua filmografia, mas não precisei de ver mais para ter a certeza de que não me enganei: Nas categorias citadas antes por Claude Chabrol, dividindo os cineastas entre os contadores de história e poetas, Kar-Wai certamente se enquadra nesta última.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Into the Wild (Na Natureza Selvagem)


Já fazia muito tempo que havia assistido este Na Natureza Selvagem, de Sean Penn, mas não perdeu a sua beleza, pelo menos para mim, que toda vez que sei que vai passar na tevê a cabo assisto e nunca me arrependo.


Seja pela atuação convincente (até de mais, eu diria) de Emile Hirsch, seja pela fotografia linda, ou mesmo pela trilha sonora, igualmente sensível, de Eddie Vedder, vale sempre a pena ver o resultado desse trabalho de adaptação da história real de Christopher McCandless, diretamente do livro, que, acabo de ver, fora escrito pelo jornalista Jon Krakauer.


Baseando-se em Tolstoi, que também tentou fazer justiça aos seus pensamentos naturalistas/humanistas, Chris abdica de sua identidade, de seu lugar na sociedade, e na instituição família. Isto, didaticamente falando, sendo que o que vemos é bem mais que isto. Fica-se para pensar: que é esta nossa sociedade? Que obriga ela a fazermos? Que destrói? Pode ser que Chris tenha ido longe demais, mas o que é ir longe demais?


Enfim, mais que beleza visual, aí vai um filme maravilhoso do ponto de vista reflexivo também.