Mostrando postagens com marcador citações. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador citações. Mostrar todas as postagens

sábado, 30 de junho de 2012

Doce Solidão -- Marcelo Camelo

Posso estar só
Mas sou de todo mundo.
Por eu ser só um
Ah nem, ah não, ah nem dá, ah
Solidão, foge que eu te encontro
Que eu já tenho asas...
Isso lá é bom?! 
Doce Solidão.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Pergunte ao Pó - Trechos

John Fante - escritor de Pergunte ao Pó.
Influenciou, entre outros, os escritores
da geração beat e Charles Bukowski
   Pergunte ao Pó é o livro mais famoso do ítalo-americano John Fante, que narra as desventuras no outro lado do american way of life de Arturo Bandini, o alter-ego de John Fante.

   A edição que li foi traduzida pelo sensacional Paulo Leminski, e, tal qual ele, pude experimentar a sensação boa de folhear as poucas páginas deste livro que nos diverte e nos mostra uma literatura feita com cuidados de um fã de Joyce, com um humor afiado, uma linguagem poética e uma história que nos mostra o outro lado da sociedade.

   Enfim, o livro explora a simplicidade desse cotidiano bobo, as mesquinhices, as contas a pagar no fim do mês, os rostos conhecidos e desconhecidos. A bobagem que chamamos viver, enfim.

***

  "Lá vai você por Bunker Hill, e você levanta o punho contra o céu, e eu seu o que você está pensando, Bandini. Os pensamentos de seu pai antes de você, chicote nas tuas costas, fogo em seu crânio, a culpa não é sua: este é o seu pensamento, que você nasceu pobre, filho de camponeses na miséria, pra lá e pra cá porque vocês eram pobres, fugidos da sua cidade no Colorado porque vocês eram pobres, tropeçando pelos esgotos de Los Angeles porque você é pobre, esperando escrever um livro pra ficar rico, porque aqueles que odeiam você lá no Colorado não vão odiar você se você escrever um livro. Você é um covarde, Bandini, um traidor da sua alma, um frágil mentiroso diante do seu Cristo em lágrimas. É por isso que você escreve, é por isso que seria melhor se você morresse."
[Pg. 26]


   "(...) Uma oração. Claro, uma oração: por razões sentimentais. Deus todo-poderoso, lamento que agora eu seja ateu, mas o Senhor já leu Nietzsche? Ah, que livro! (...)"
[Pg. 29]


   "Eu os tenho visto sair cambaleando de seus palácios de cinema, piscando os olhos vazios por ter de encarar a realidade de novo, cambaleando para casa, indo ler o Times para ver o que se passa no mundo. Eu tenho vomitado em seus jornais, lido sua literatura, observado seus hábitos, comido sua comida, desejado suas mulheres, bocejado diante de sua arte. Mas eu sou pobre e meu sobrenome termina com uma vogal e eles odeiam a mim e a meu pai, e ao pai do meu pai, e eles gostariam de ver meu sangue escorrer, mas eles estão velhos agora, morrendo no sol e no pó quente da estrada, e eu sou jovem e cheio de esperanças e amor por minha terra e meu tempo, e quando chamo você de sebosa não é meu coração que fala, mas a boca de uma ferida antiga, e eu estou morrendo de vergonha pela coisa horrível que fiz."
[Pg. 53]

   "-- A gente aprende a nadarem águas calmas"
[Pg. 70]

   "Que proveito tem um homem se ganha o mundo todo e sofre a perda de sua própria alma?"
[Pg. 108]

---FANTE, John. Pergunte ao Pó (Ask the Dust).
Editora Brasiliense.SÃ PAULO. 3ª ed. 1987.
Trad. Paulo Leminski.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Arnaldo + Sem nome nº 16

"eu gosto de ficar só
mas gosto mais de você."

Sem Você - Arnaldo Antunes
------------------------------
"é que algumas nuvens
eu criei satisfeito
em fazer cair a chuva
para que no fim do dia
nosso lençol, lá desfeito
nos mostre onde se curva
o amor sincopado
pela minha voz que uiva,
toda vez, sem sentido
estando sem ter estado"

"sem nome nº 16"

eap

sábado, 7 de janeiro de 2012

Uma questão de paz

"Que contradição
só a guerra faz
nosso amor em paz"

e digo mais:

que contradição
só a guerra traz
o amor à paz.

eap

sábado, 10 de dezembro de 2011

O Estrangeiro - Trecho

" [...] Voltava a me esforçar para mudar o rumo do meus pensamentos. Escutava meu coração. Não conseguia imaginar que este barulho que me acompanhava a tanto tempo pudesse um dia cessar. Nunca tive uma verdadeira imaginação. No entanto, tentava imaginar um certo momento em que a batida desse coração não mais se prolongaria na minha cabeça. Mas não adiantava. A madrugada e o recurso estavam sempre lá. Acabava chegando à conclusão de que o mais sensato era não me tentar refrear."

(CAMUS, Albert. O Estrangeiro. Editora Record - Rio de Janeiro 2011 - 32ª ed., Pg. 116)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Mulher Amada - E Uma de Trevisan

Meia duzia de tabefes, já cai toda chorosa no chão a mulher,
vontade de morrer, matar, irrompe em prantos a flor murcha,
-- João, por que tu não me deixa em paz?...
O dentinho de ouro mordendo o beiço grosso, ainda a unha
cravada no umbigo cabeludo -- e ainda cheira,
-- Ia eu saber viver sem esse...
-- ...mulher amada já não sou!
-- ...assado de panela todo dia? ainda mais roupa lavada?
-- ...bjeto sexual, só...
-- Não fosse isso, voltava pra mãe...
-- Mas tua mãe já morreu, João.
Triunfante musgo na ponta do canino -- um alface,
-- Então o jeito é aguentar, desgracida.


eap
 
 A Dalton Trevisan por seu "Desgracida".











"Só de vê-la -- ó doçura do quindim se derretendo sem morder -- o arrepio lancinante no céu da boca."


(TREVISAN, Dalton. Ah, é?. Editora Record - Rio de Janeiro. 1994, Pg. 15.)

sábado, 26 de novembro de 2011

Uma do Velho Buk

"Caro Hans van den Broek,

Obrigado por sua carta contando-me da remoção de um de meus livros da biblioteca Nijmengen. E que ele é acusado de discriminação contra negros, homossexuais e mulheres. E que é sádico por causa de seu sadismo.

A única coisa que temo discriminar é o humor e a verdade.
[...]
No meu trabalho como escritor, eu só fotografo, em palavras, o que vejo. [...] Se eu escrevesse só e continuamente da "luz" e nunca mencionasse o outro, então como artista eu seria um mentiroso.

A censura é a ferramenta daqueles que têm a necessidade de esconder realidades de si mesmos e dos outros. [...]"

Carta de Charles Bukowski sobre a retirada de seu livro Crônica de Um Amor Louco das prateleiras da biblioteca holandesa ao Ministro Hans van den Broek.

Texto na íntegra aqui.

domingo, 13 de novembro de 2011

Eu não nego, eu entrego...

"Diz assim,
que eu rodei
que eu bebi
que eu caí
eu não sei 
eu só sei 
que cansei, enfim,
dos meus desencontros,
corre e diz a ela
que eu entrego os pontos"

Chico Buarque - Desalento do disco Construção (1971)

sábado, 8 de outubro de 2011

Desintoxicando o Onírico Pelas Mãos do Engenheiro


[Sem nome nº 12]

"Pesadelos que perpassam
pelas pálpebras inquietas
do fundo escurecido
de minha memória
revelam..."
.
.
.
"Em densas noites
Com medo de tudo
De um anjo que é cego,
De um anjo que é mudo."


João Cabral de Melo Neto
Poema de Desintoxicação



sábado, 10 de setembro de 2011

Do imbróglio que quiproquó...


Ai! não me deixe aqui
o sereno dói.
Eu sei, me perdi,
mas ei, só me acho em ti. (...)

E hoje eu sei:
sem você sou pá furada...

Paquetá - Los Hermanos

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Resíduo de Drummond -- Parte sobrante de poesia + Resíduo de Carta





"Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem. (...)"

Resíduo - Carlos Drummond de Andrade







xx

"Talvez de todas as partes a menor. Não sou nenhuma revolução em forma de pessoa. Se eu pudesse me definir numa pessoa, seria Drummond, se eu pudesse me definir num Estado, seria Minas. Ah, eu todo mineirinho, com sotaque forte de cearense. Toda minha discrição, minha relutância em aparecer, uma total falta de atitude que aqui não cabe dizer.

Mas de amor tenho muito falado, e isso tem me surpreendido. Tenho felicidade em ter encontrado uma mulher com a qual eu possa debruçar minha cabeça cansada. Fora a cabeça cansada, deleitar meu amor recíproco. Mas de todas as maneiras, me sinto completo com ela. Digo que ao que me parece, também ela parece gostar de mim, nada afirmo de total certeza: esta nesse mundo não existe. Mas nela tenho acreditado. Pode ser que no fim eu me arrependa, se ele houver e vai haver – depende, entretanto de que maneira será esse fim!"

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Passeando - On The Road


"E aquele foi um momento marcante em minha vida, o mais bizarro de todos, quando não soube quem eu era. (...) Eu estava na metade da América, meio caminho andado entre o Leste da minha juventude e o Oeste do meu futuro, e é possível que tenha sido exatamente por isso que tudo se passou bem ali, naquele entardecer dourado e insólito."

Kerouac, JACK in: On The Road - Pé na Estrada. pag. 35.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Filosofias de morte e Máximas em Memórias Póstumas de Brás Cubas

Memórias Póstumas de Brás Cubas - Editora FTD



Tomando de empréstimo e referência o blog de Rosangela Bastos (pela falta do livro em mãos) ponho aqui algumas das máximas de Memórias Póstumas de Brás Cubas que achei findo o livro. Pena não poder ter tido a oportunidade de anotá-las ou grfá-las no próprio livro, que não era meu... Mas, anyway, ficam aqui palavretas que valem a pena ler, para além do nome mais importante da nossa literatura e de um de seus romances mais famosos (na minha opinião, o melhor), que narra a história de "um defunto autor, não um autor defunto",


"Não importa ao tempo, o minuto que passa, mas o minuto que vem"


"O mundo era estreito para Alexandre; um desvão de telhado é o infinito para as andorinhas"


"Deus, para a felicidade do homem, criou a religião e o amor. Mas o Demônio, invejoso do sucesso de Deus, fez com que o homem confundisse a religião com a igreja e o amor com o casamento"


"Matamos o tempo, o tempo nos enterra"


E em minha surrada opinião, a que melhor estapeou a minha cara, ao fechar o livro.


"Não tive filhos. Não transmiti a nenhuma outra criatura o legado da nossa miséria."


(Prometo rever as melhores e reformular esta postagem com frases que eu mesmo retirarei, relendo as quase 200 páginas do livro novamente)

sábado, 25 de junho de 2011

Palavras de Saramago



"A certa altura, saiu a pergunta: como é que você, depois do muro de Berlim e do que se passou na União Soviética continua a ser comunista?


E eu disse: Sou uma espécie de comunista hormonal.


"O que é isso, comunista hormonal?"


É que, assim como nasci com um hormônio que faz crescer a barba nasci com um hormônio que, queira ou não queira, faz de mim um comunista."



Do programa Entrelinhas

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Ao bom jovem idoso



O jovem tem todos os defeitos do adulto



e mais um:



— o da imaturidade.






Nelson Rodrigues

terça-feira, 7 de junho de 2011

Pra acalmar...

"Há quanto tempo desejo
seu beijo molhado de maracujá...

Tô me guardando pra quando o carnaval chegar..."


Quando o Carnaval Chegar - Chico Buarque

sábado, 23 de abril de 2011

Uma casa, este corpo, entra-se pela porta:






"O meu coração
bate sem saber
que meu peito é uma porta
que ninguém vai atender"




Arnaldo Antunes - Meu Coração

quinta-feira, 24 de março de 2011

Entrando e saindo dos seus rins.



- Je t'aime je t'aime
Oh oui je t'aime
- Moi non plus
- Oh mon amour
- Comme la vague irrésolue
Je vais, je vais et je viens
Entre tes reins
Je vais et je viens
Entre tes reins
Et je me retiens
(...)
Serge Gainsbourg




(Esperando o filme.)

quarta-feira, 23 de março de 2011

Um Pássaro Azul













"there's a bluebird in my heart that, wants to get out






but I'm too tough for him




(...)




but I pur whiskey on him and inhale cigarette smoke






and the whores and the bartenders and the grocery clerks






never know that he's in there"










Charles Bukowski


quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Leminski



Minha mão dormiu


e sonhou


que a tua me acenava


de um navio




Paulo Leminski.