para além só quero a sorte dos esquecimentos.
quero te esquecer.
esquecer o mundo inteiro.
daí, uma semana ou duas,
ter a grata surpresa
de ter sido só um sonho.
às vezes espero
um dia inteiro,
às vezes espero
uma semana inteira,
um mês.
passa: previsíveis os passos.
por que não acostuma o coração
a esse palpite duvidoso?
na verdade o erro é mesmo
a espera.
mas vou dobrar esta página
amanhã, quem sabe
as coisas possam fazer sentido
e eu seja apenas
romântico demais.
eap
segunda-feira, 4 de março de 2013
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
(contato)
- terrivelmente passional.
- cheguei ao ponto de não conter os dedos.
- terrivelmente amável. terrivelmente incontido nos passos de chegar em qualquer lugar.
- essas pequenas coisas que me fizeram maior que o tamanho que foi-me dado de graça (e quem o quereria?).
- terrivelmente modesto. terrivelmente solitário, terrivelmente dramático.
- foi assim que me despedi com um tiro na testa, três dias de luto, quase nunca tive lembranças suas.
- aquela carta, nossas cartas, meus pêsames à sua mãe, bondosa mulher, seus irmãos, sua namorada. seu carro, sua carteira de identidade. suas contas a pagar, seus aluguéis atrasados. meu deus: quem foi aquele retrato?
- eu tinha uma foto sua na carteira: éramos nós dois um só. quando isso era ser eu, eu era você sei de cor os anos - minha idade, a mesma que a sua.
- preciso tanto.
- estes nossos dias vazios.
- preciso tanto.
- estes nossos dias vazios.
- preciso tanto.
- terrivelmente barulhenta sua voz cochichosa em meus ouvidos, não me deixa dormir.
- eu sou seu terrivelmente frio lado, a mão que afaga o próprio cabelo em sinal de protesto contra o sentimento bobo.
- você sempre foi e sempre será bonito, eternamente terrivelmente bobo, apenas.
- quem você seria quando crescesse?
- meus cabelos caem, as unhas crescem e se quebram, pinto-as, quando você chega, elas estão curtas, eu não quero te machucar.
- tire essa areia dos olhos, eu não quero te ver pela penumbra, deixa os sapatos atrás da porta, abraça, volta, sai, não deixa vir essa treva. e deixa, mas porque queremos (queríamos) não há nada para dizer, não há nada mais evidente nessa nossa cidade que essa chuva que cai fina e aumenta, e nebuloso no estio (nunca entenderei).
- vamos embora, um dia.
- quem sabe.
- esse tiro na testa não te deixa estar.
- esse tiro na testa não vai permitir mais nada.
eap
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conto
sábado, 12 de janeiro de 2013
casa aberta
num céu deixo-te exposto todo o meu nada
para te contentares com esse tudo estrelado
que é o que te tenho a oferecer.
[astros invalidados pelo tempo.
mortos no instante em que os vemos:
não são assim tão reais?]
[astros invalidados pelo tempo.
mortos no instante em que os vemos:
não são assim tão reais?]
dou-te minhas mãos e braços
meu endereço e telefone,
as chaves da minha casa,
uma roupa quente de dormir.
um café mais doce, mais leite.
um café mais doce, mais leite.
areia de mar na porta de casa,
teu lençol, travesseiro, terra terra terra e ar.
dou-te o silêncio do meu sono intranquilo.
mas não tenho obrigações à dar,
minha preguiça, teu cochilo,
nem respondo ao que vamos ser
(e eu já nem quero saber
até onde isso vai dar).
eap
teu lençol, travesseiro, terra terra terra e ar.
dou-te o silêncio do meu sono intranquilo.
mas não tenho obrigações à dar,
minha preguiça, teu cochilo,
nem respondo ao que vamos ser
(e eu já nem quero saber
até onde isso vai dar).
eap
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poema
mundo
não encontro cá lugar nesse mundo
onde eu me sinta completo.
entretanto, se todo mundo
em si mesmo é um mundo,
em mim mesmo me acho, me fundo,
me entrego.
eap
onde eu me sinta completo.
entretanto, se todo mundo
em si mesmo é um mundo,
em mim mesmo me acho, me fundo,
me entrego.
eap




