sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Sem nome nº 44



é fácil ferir a pele exposta;
serenar quando desistir
de tentar dar resposta.

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- à noite ela ainda procura teu cheiro
no lençol
- você sabe? você sabe?
- ela ainda molha as coxas
pensando na sua voz
ao pé do ouvido.
- sabe? sabe?
.......um ronrronar.
- desliga o rádio, dorme
e descansa - amanhã tua mãe volta
sabendo de tudo.

ela levou as roupas
que melhor lhe vestiam o corpo
que deixavam seus olhos brilhando
- ela morre todos os dias sem saber
que aqui tem uma mulher
que morre por ela...

[os galhos
da árvore
dançando no telhado.]

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meus cabelos ainda puídos
minha calça suja
das cinzas de cigarro...

os dedos unidos...
então, quem sabe surja
uma rua na tua rua,
me surja um lugar na tua casa,
na tua cama.
uma rua na tua casa,
um lugar onde cê não precisará
se esconder,
deixará teu rosto descoberto
quem sabe
até crescer.

eap

ensaio sobre capricórnio



para mim o que importa é o puro e o sólido, as coisas práticas e úteis, a vontade não é nada se não há necessidade e utilidade. seus ossos e lágrimas só pertencem à terra, em deus, quem sabe, ainda delego gosto pelas virtudes de meu suor. inicio com vontade, gana, e não me importo com as bestializações, as filosofias, as máquinas de sonhos, as sensibilidades – em que cauda de cometa, em que anel desses de poeira de saturno esqueci meus sentimentos petrificados, prontos para desintegrar-se como fosse assim uma estátua de sal, que não olha para trás? –não olharei jamais para trás, porque importa o tempo presente, meu sangue quente, meu suor, minha vida. deixo esse tempo para quem o quiser. importa querer e ser à custa de um retorno inversamente proporcional: nascer cheio de nada, morrer vazio de tudo.

eap

condição


– foi tudo isso.
e mais as de amanhã.
e as de ontem. 
e de alguns meses atrás. 
e dos meses (anos) que virão.


– cê tá bêbado.

– não, eu sou bêbado. 
bêbado não é um estado, é condição.

eap

saber antes sendo depois



seus olhos tinham isso de expressar-se primeiro, e era magnético. quando ligou não pude deduzi-lo, mas poderia adivinhar pela sua voz, a maneira como fala, talvez olhando fixamente para as teclas, dizendo as palavras pausadamente, nem sei bem ainda se de propósito ou não, mas nisso comedia com suas unhas vermelhas o que aconteceria naquela tarde quando nos encontrássemos no café, e, depois das dez, lhe falaria das minhas saudades, dos meus desejos pela sua pele, pelo seu cheiro, daquele jeito, esgueirando-me feito uma cobra por cima da mesa, as mãos repousadas em suas coxas, os olhos em seu decote, que ela já escolhera; seguraria, saindo de lá, sua mão, teria com ela a noite inteira, beijaria seu pescoço, morderia sua boca, seus dentes, meus dedos em seus lábios calados, puxaria seus cabelos, no momento último ela riria ou choraria, chamaria “meu amor”, como antes, caso eu tivesse dito sim; caso não adivinhasse tudo pelo seu número, caso eu tivesse atendido. depois de tudo, tudo fica subentendido.

eap

domingo, 25 de agosto de 2013

mono

sai de perto
um pouco
me deixa
quero sim
um ofício
que permita
meu coração
funcionar.

.....................

mesmo que
ele pare
que eu pare
de respirar.

que bata,
destrua,
transforme
em
maracujá
meus dias
minhas horas
minha
sala de estar.

eu quero
um amor assim
perfeito
pra tudo
que há
na bomba
atômica
atônita
insone querela
querê-la

que(m) seja
ela.
eu diria:

- te vi
bem
na esquina

um dia
um dia
um dia
...

eu te amei
por dois
segundos
cromossômicos
supersônicos
supra venais
as veias
correm
ao cérebro
sem ar -
ar.

nela não
nela então
não.

cruel
mas
esse céu
é seu
e eu
não sou
- o mundo
é vasto,
querida.

sou
mono
amor.

eap