viii
antes de tudo, ao meu amor
serei atento
muito e tanto e como tal: sê-lo
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
-
vii
parece que a vida acaba por fazer
a gente se perder.
eap
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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
ensaio sobre escorpião
define-se pântano, água calma, dentro, que há? não há nada, o cosmos sabe bem que tudo tem hora de vir à tona, meu sorriso é um rifle, eu pretendo te aprisionar livre, deixar-te vagar, cavalgar, cavalar-se, deixo porque observo, meus olhos que separam no silêncio os feijões podres - talvez os coma, apenas para fazer doer a bílis, e quando lá chegar acompanhar comedidamente a dor latejar, mas não se atreva a levantar meus olhos, deixai que com as mãos, os ombros, acomodar-me-ei nos braços, deixarei de lado as lágrimas que vazam de fora para dentro, inundando - e elas se transformam no murro que por vezes pode explodir na parede do quarto escuro, trancado, sozinho e sem ninguém. por que às vezes me transtornas como o diabo? por que às vezes me faz odiar dizer as minhas verdades de tal forma que sem dó nem piedade na cama eu tenha que me vingar, deixando na tua pele a marca de minha vingança? rabisco poesia russa em tua pele com meu odiamor, e te deixo com a vontade de me querer, de não perder, sou assim quem cuida as ferrugens, do que ninguém mais quer e reemerjo-lhe às margens purulentas de uma realidade que eu não nego nem negarei - te puxo o braço, encaro fixo, sou o planeta guerreiro, sou macho, apesar da feminilidade inerente às minhas feridas que crio sozinho; sou um planeta frio e distante, sou nem isso, não sou planeta, sou judas, que apesar de tudo, olhe de novo, nunca deixou de ser apóstolo.
eap
Sem nome nº 45
sua boca cuida de fazer um trabalho
desejado de tantos dias.
não há palavra vária que faça valer
o silêncio com que soergue seus dentes;
sua língua, em contrapartida,
não se faz muda - apesar dos silêncios.
tenho vontade de usar
minhas pequenas extremidades:
dedos, língua, glande -
e uso, entre algumas dentadas
que ficam expressas na pele,
entre-coxas, pescoço,
entre vermelhos e roxos.
suas unhas sacrificadas na pele
de minhas costas,
pouco ou nada adiantam,
se fosse assim tal luta feroz
(e não o é),
seus mamilos eriçados
são um desafio a ser batido,
enquanto eu assim lhe chupo,
ela bate,
ferozmente,
entretanto, a batalha é árdua
até o esporrar:
sangramo-nos vítimas do cansaço absoluto,
depois suas pernas e braços cuidam
de me cuidar.
eap
desejado de tantos dias.
não há palavra vária que faça valer
o silêncio com que soergue seus dentes;
sua língua, em contrapartida,
não se faz muda - apesar dos silêncios.
tenho vontade de usar
minhas pequenas extremidades:
dedos, língua, glande -
e uso, entre algumas dentadas
que ficam expressas na pele,
entre-coxas, pescoço,
entre vermelhos e roxos.
suas unhas sacrificadas na pele
de minhas costas,
pouco ou nada adiantam,
se fosse assim tal luta feroz
(e não o é),
seus mamilos eriçados
são um desafio a ser batido,
enquanto eu assim lhe chupo,
ela bate,
ferozmente,
entretanto, a batalha é árdua
até o esporrar:
sangramo-nos vítimas do cansaço absoluto,
depois suas pernas e braços cuidam
de me cuidar.
eap
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carta nunca enviada
22/08/2013
para jf.
tua ausência eu entendi
à tua tristeza fui órfão -
mas sempre soube que doía
como dói o amor exausto.
eu sou o futuro da tua dor presente num déjà vu desses indesejáveis.
a cruz é a mesma?
a dor é por si só uma e tudo é dor, aqui, lá, aí, sua, minha nossa, sei das dores do mundo, não sei da cura, mas sei dizer manso que como toda ela vem, vai, como nosso destino: a gente corre pra chegar e foge para não ir.
ah minha querida, rua acima desce rego abaixo toda lágrima... somos vis e vislumbramos belezas intensas. sabes das madrugadas, sei das noites de riso e sofrimento.
poupo palavras, não poupo amor.
sei que por aí te corre um medo mas é na fraqueza que o músculo se transforma; esse músculo invisível do coração; sei também que a repetição é o mundo dando voltas - entretanto o retorno é conhecido, passarás como tudo passa, e saberá que o espinho que te feriu o pé não estará lá novamente, faz-se parte da tua carne (conquanto não pares), profundississimamente nela se entranhou.
sei que isso é um grito surdo, palavras rabiscadas (também eu apanhei na cara, sofri das dores e inchaços da face, do dente quebrado e das raízes expostas - fiz delas um canal), mas amanhã também o sol nasce e renasce. essa metáfora da vida.
portanto nessa noite, liga tuas torneiras, inunda tua casa, rega teu jardim, vem de volta quando quiseres, vem correndo ao meu abraço, que isso tudo ainda não é nada.
eap
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