domingo, 6 de maio de 2012

Prosa em verso

Vez em sempre tenho vagueado
zanzando, trotando, chapinhando até,
entre as palavras proseadas.
Mas, "se pá", como dizem por aí,
eu tenha mesmo inato dom pros versos?

Pretensão pra porra, eu penso!

Entretanto, não sei se pelo desleixo,
não sei se pela emoção de chegar mais rápido ao fim de um verso (ufa!),
eu acho fácil versar.

Versar como
verso aqui
e agora.

Aqui eu dou de braços e abraços,
trezentos apertos de mãos, tapinhas nas costas,
e reconheço morrendo e vivendo trezentas e uma vezes,
que não sou Bilac,
nem pretendo,
e que acho muito árduo o trabalho de metrificar.

Penso que seja puro comodismo...
Penso, e não me acho,
nem caio.

No final das contas,
eu acabei pensando bem,
e vi que isto aqui não era verso,
nem este aqui, nem o próximo --
viu?

Apenas fragmentei um texto inteiro,
desabafando esta minha bobagem inata,
a capacidade de publicar, sem medo,
versos medíocres -- mas,
por quê falar de versos em prosa?

Versei.

eap

2 comentários:

Raquel Rodrigues disse...

Tu me encantas sempre e cada vez mais com essa tua capacidade, às vezes negada numa falsa modéstia tua, de seres um poeta prosador de mão e espírito cheios!
Um Achado!

Eliézer Araújo disse...

"Pretensão pra porra! Penso"

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