"[...] Loura de sol e branca de luares,
Como uma hóstia de luz cristalizada,
Entre verbenas e jardins pousada
Na brancura de místicos altares.
[...]
É minha terra! A terra de Iracema,
O decantado e esplêndido poema
De alegria e beleza universais!"
Fco. de Paula Nei - "Soneto"
Fortaleza i love you but you bring me down
odeio teu sol
tuas praias
teu cheiro de litoral
fortaleza i love you
but you bring me down
odeio teu centro
tua ignorância
tua inconstância
impossibilidade
tua desigualdade gritante
oligarquia patriarcal
fortaleza i love you
but you bring me down
mas também te sou grato
pela raiva e pelas pessoas
que em coro cantam comigo
no mesmo tom o mesmo hino
fortaleza i love you
but you bring me down
sou grato por ter me formado
moreno pardo mulato
meu corpo de fato
desta cor tamanho peso e fardo
a inspiração tal
fortaleza i love you
but you bring me down
deu também, fortaleza,
esse jeito de amar te odiando
de cheirar teu lixo
e do ódio frio
o morno encanto me fio
fortaleza i love you
but you bring me down
quando canto agora
na madrugada afora
adolescência em vão
nas ruas podres e encharcadas do dragão
ou na aldeota, uivando com vinho feito cão
na favela onde conheci 300 ou mil irmãos
que me tomaram paraíso inferno
ou o que me fez tão mal
é assim que digo
i love you
but you bring me down
da iracema outrora américa
o perdido anagrama
com quantas mortes
hei de fazer esse canto drama
pois que na luz esverdeada
das lagoas
há mais que tristeza e melancolia
do que se fez antes tua ama
quem te criou
te deu comer
e belle-epoque
o verdadeiro sentimento
de perdido íntimo
de quem das tuas ruas se fez caos
fortaleza i love you
but you bring me down
teu aniversário
mais 1 ano
e meu ódio é sem culpa
é amor natural
não irei mais ecoar
o que já martelei
da cidade que me fez
dar este verso final.
0 comentários:
Postar um comentário