sexta-feira, 8 de junho de 2012

vadinhos

é que dos amores máximos, ele sentia o mínimo. sabe lá porquê. não fosse maldade, as mulheres jamais o diriam, e uma mulher nunca mente -- aquelas todas, que ele encostou, com o papo mole, manja?, cafajestão, o bigode (na tua vida era a décima primeira praga do egito); todas sabiam, nenhuma resistia ao seus dengues de saudade. até as que levavam umas bolacha na cara, até as que ele sequer ligava -- pra quê? chegava, já é de se saber o que se quer. umas até ressaca de bebida ruim tratava, pra no dia seguinte sair dizendo que volta já.
(essa história, a novela de quantas, meu deus?)
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anjinho desasado

tinha tanto quanto pudesse, mesmo assim infeliz. aí veio aquele dia, que ninguém acreditou. tantas cartas, palavras, avisos prévios de natal, ano novo, aquele meio baldeado aniversário -- a vela não pedia outra coisa senão felicidade. uma corda, meu pai, o pescoço, mesmo grosso, não a sustentou -- esse tal anjinho desasado -- agora se sabe falho no alçar de voo.

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A Cura

Eu quero fazer um poema forte,
frio e duro como o ferro
inflexivo como o aço
inerte feito a pedra -- que mesmo
da mais pura, dura,
do mais rude traço,
ainda nasce a flor que cura.

eap

domingo, 3 de junho de 2012

Poesia Viva

Por quê é nas tuas palavras, nas tuas queixas
que eu encontro inspiração para reclamar e respeitar
o outro - tu me descobre os sete sentidos de uma palavra.
Que é na tua tristeza aqui e antes para depois euforia triste,
que eu faço poesia - que és bem tu a tal da poesia viva.

eap

Levantando Bandeira



(Escarrando o catarro purulento
de teu pulmão tísico
conquanto eu abro minhas feridas,
tímidas, de ser físico.)


Ai, Bandeira, quanta bandeira eu dou:
de ti em teus eu fiz a mim nos meus,
e hoje quem os olha já sabe que são eus,
por causa do muito de mim que de ti me inspirou.

Tua dor em vida, desejando vida
é minha dor de quase morte
esperando a sorte,
para que no final a gente se encontre,
naquela mesma esquina
onde os muitos e poucos se encontram
depois de finda a nossa sina.

E, Bandeira, eu te espero encontrar
qualquer dia desses,
ver de nós dois, qual mais dolorido,
inflamado e, ao mesmo tempo, calado.


eap