sexta-feira, 20 de abril de 2012

Repuxo

Não. Tu não devias ter pulado de volta
do abismo profundo em que te joguei.
Não. Tu provavelmente é cinza remota,
memória torta como coisas que sonhei.
Não. Tu não tens que tomar de mim
a noite de sono outrora perdida em abandono.
Não. Eu te nego, mesmo que em dor
se enlace meu peito de tanta melancolia
sei que já já, mais dia menos dia,
exorcizarei-te novamente de minha cama --
Sai, que não é teu meu pensamento!
Sei que agora nele estás, mas é tontura
lamento.
Não. Tu não poderá de mim receber nenhum
trocado de amor miserável, sequer a torpe
atenção que mereceria uma puta.
Não, eu repito, para que alguém me possa
acudir os gritos de minha boca que,
convulsa,
se estende pela madrugada em martírio
pelo pensamento tanto negado, apunhalado,
queimado e reduzido ao pó de que nunca
deverias ter saído.

ac

1 comentários:

Raquel Rodrigues disse...

Não sou de falar palavrão, mas este merece:
PQP, meu filho!

Excelente.

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