quinta-feira, 16 de agosto de 2012

a um achado II

para raquel rodrigues que
por ser perdida de mim,
cada dia mais achado

eu cobro abraços de quem eu tenho vontade de abraçar
de quem me ensinou a não preconceituar o abraço
de quem me ensinou que, às vezes, um abraço bem dado
vale mais que mil e doze beijos lambuzados de crua libido.
eu cobro teus abraços e tanto mais de teus sorrisos,
por deles, às vezes, me encontrar da maneira como gostaria de ser.
(acho, inclusive, injusto que te entristeças, sendo o que és
e é que és de tanto e tão muito que de te maltratar, me engradeço
-- e, que dor é essa que nos pomos a moer?
sempre se tem uma dor a latejar no peito,
no fundo, todo mundo é triste, eu já te dizia isso
naquelas noites de espera, sob a lua -- uma saudade me comove agora
desfaçamos o parêntese).
mas não te surpreendas, se um dia chegar e sumir por uns tempos
é que, às vezes, é preciso continuar a busca
e, às vezes, é preciso continuar se perdendo
para se ser achado -- qual tu me foste naqueles dias tristes e solitários
de tanta conversa besta, meu deus, de tanta efemeridade...
qual tu ainda hoje me és, contanto que eu te procure
(e cuide de se fazer esquecida -- vão dar por ti linda e magnífica
como és).

eap

1 comentários:

Raquel Rodrigues disse...

O lado doces das nossas agruras.

A estima que te tenho já transcende.

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