sábado, 8 de outubro de 2011

Sete Pecados

(Na falta de uma foto com bolada nas costas
uma na cara faz um efeito no mínimo parecido)
Afonso é o mais cafajeste dos felas. Não digo isto em falsidade tremenda, porque ele sabe, se vangloria e ama ser assim. É certo que não nasceu assim. Precisou ainda encaliçar muito o couro para ser o que é. E se existiu na face da terra uma máquina de fazer gente sem futuro, essa máquina era movida a duas mãos, ossos expostos e muitas, mas muitas espinhas. Seu nome é Theo. Francisco Estéfano, descendente direto dos Gomes, lá da Caucaia -- não poderia ser pior.

Existe um caso rápido que vou contar antes de adentrar em Afonso, mas que vale a pena ressaltar. Sal, irmão de criação de Mardem (sim, sim, aquele mesmo que almoça com Kurt Cobain), quando chegou era o mais próximo que tínhamos na Rua Betel de um nerd bem comportado. Foi só enturmar-se com "o bando" do Theo, que se tornou um capeta que xingava a mãe no meio da rua pra todo mundo ouvir, quando ela disse assim,

-- Sal, seu filho da puta! Eu vou te matar! Vou botar veneno na tua comida!
-- Bota, sua rapariga! Bota!

Enfim, existe outra história, que tem a ver com uma repetição nojenta de "fish, fish, fish" de um filme pornô que hoje eu não tenho coragem de contar.

Mas voltando a Afonso, este infeliz sempre fora um azarado, um saco de pancadas até atingir a sua atual estatura, de 1,84 metro. Hoje, claro, ninguém faz mais o que um dia fizeram com ele. Mas quando de sua juventude, chacota era pouco para o que sofria. Uma dessas era a brincadeira dos Sete Pecados.

Você já brincou de Sete Pecados com certeza. Se não, resumo grosseiro: o nome de cada um dos participantes no chão, e cada um joga uma pedra. Aquele que receber maior número de pedras no seu nome pagará os Sete Pecados. Digo assim, mas nem sei se o é. A parte das pedras e da bolada nas costas é o que interessa para a história.

Theo, sem vergonha do caralho, ia lá no nome do desgraçado do Afonso e pegava um punhado de não sei quantas pedras e jogava no nome dele sem que ele percebesse isto. Quando ele dava por si já tinha mais pedras no seu nome que o número de participantes. Chorava, o pobre velho... Mas fazer o quê, era o jogo, e ainda tinha a pressão do Theo:

-- Bora fela da puta, deixa de ser chorão! Vai peidar pra dentro?

Na hora de pagar os Sete Pecados, existe uma linha, de mais ou menos uns dois metros de distância do alvo, no caso o Afonso, que tinha que ser respeitada.

Mas aquele era o Theo, senhoras e senhores! Lá ia ele perder a oportunidade de meter a porrada no Afonso? Não era todo dia aquilo, e se tinham esses dois metros, ele reduzia essa distância para no máximo dez centímetros e acertava as costas do Afonso que se torcia que nem sapo com sal grosso na pele.

-- Égua mã, vou mais não...
-- Covarde!

E ficava nisso. Unindo o útil ao agradável, no final das contas, Theo transformou Afonso no homem que é hoje... Não é lá muita coisa... É certo que a custa de muita bolada e trapaça -- mas quem se importa? é só mero detalhe...

E,a,p'

1 comentários:

Raquel Rodrigues disse...

Tô começando a ficar com dó do Afonso... =P

Eliézer, tu devias era te dedicares a contar os causos dos Felas, sabias?

Sempre sorrio frouxamente ao ler um relato, muito bem escrito por sinal, teu de teu bando.

Tu sabes mesmo contar histórias, mocinho! :D

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