quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Resíduo de Drummond -- Parte sobrante de poesia + Resíduo de Carta





"Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem. (...)"

Resíduo - Carlos Drummond de Andrade







xx

"Talvez de todas as partes a menor. Não sou nenhuma revolução em forma de pessoa. Se eu pudesse me definir numa pessoa, seria Drummond, se eu pudesse me definir num Estado, seria Minas. Ah, eu todo mineirinho, com sotaque forte de cearense. Toda minha discrição, minha relutância em aparecer, uma total falta de atitude que aqui não cabe dizer.

Mas de amor tenho muito falado, e isso tem me surpreendido. Tenho felicidade em ter encontrado uma mulher com a qual eu possa debruçar minha cabeça cansada. Fora a cabeça cansada, deleitar meu amor recíproco. Mas de todas as maneiras, me sinto completo com ela. Digo que ao que me parece, também ela parece gostar de mim, nada afirmo de total certeza: esta nesse mundo não existe. Mas nela tenho acreditado. Pode ser que no fim eu me arrependa, se ele houver e vai haver – depende, entretanto de que maneira será esse fim!"

1 comentários:

Raquel Rodrigues disse...

Ah... Que lindo és, querido amigo!

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